Márcio Vilela  |  Agosto 2015

Bio

Márcio Vilela nasceu em 1978 na cidade do Recife, no Brasil. Vive e trabalha em Lisboa. Em 2006 licenciou-se em fotografia pela Escola Superior de Tecnologia de Tomar, tendo sido docente desta instituição entre os anos de 2008 e 2014. Foi um dos artistas seleccionados para o prémio Anteciparte 2008 e para o prémio Descubrimientos do Photoespaña 2009. Em 2012 apresentou o projecto Mono no Carpe Diem – Arte e Pesquisa, resultado de uma residência artística de dois anos nesta instituição. Neste mesmo ano foi seleccionado para o “Abre Alas 8”, promovido pela galeria A Gentil Carioca. Ainda em 2012 realizou uma residência na ilha de São Miguel, nos Açores, da qual o resultado é a série Azores. Em 2014 regressa ao Recife para uma residência no MAMAM no Pátio, cujo projecto continua em desenvolvimento. Em 2016 foi premiado com uma bolsa de estudos para o European Master of Fine Art Photography, no IED em Madrid. Atualmente desenvolve o projeto Estudo Cromático para o Azul, Previsão de Deriva e um estudo sobre satélites e comunicação (ainda sem título). Suas obras estão presentes na Colecção António Cachola e em colecções particulares. É um artista representado pela Slowtrack Society.

 

Projecto

Durante a sua residência em São Miguel, o conceito do seu trabalho focou-se na idea de se estar isolado numa ilha (a partir dos sonetos de Antero de Quental e a sua ideia da existência).

 

Ao longo da sua carreira, Andrea Santolaya tem estabelecido uma linguagem particular, com um especial interesse em retratar pequenas comunidades onde a intemporalidade tem sido um ponto de encontro. Desde o Ballet Mikhailovsky em São Petersburgo, na Rússia; à etnia Warao no Delta do Orinoco, na Venezuela; o mundo do boxe em Nova York, ou a centenária equipe de rugby Biarritz Olympique, em França. O seu trabalho fotográfico quer iniciar um diálogo com o espectador e mostrar a intimidade dos lugares, os personagens que habitam a história, a mão do homem e como debate-se no seu ambiente natural ao longo do tempo.

Durante a sua residência em São Miguel, Andrea escolheu os faroleiros desta ilha para desenvolver o seu trabalho.

“O farol é uma ligação entre a terra e o mar. A transmissão de informações para o navegador é essencial e orienta-o durante a noite para chegar a um porto seguro. Tanto o faroleiro como o fotógrafo, usam a luz e o tempo para gerar uma mensagem.

No entanto, um farol não tem sentido sem a figura do faroleiro, que articula com cuidado a língua luminosa para orientar os seus navegadores. Falar de faróis é conversar sobre isolamento, melancolia, imaginação e lenda, mas sobre tudo é falar de segurança para os homens do mar.

O que quer dizer ter o poder de luz no ponto mais ocidental do continente Europeu? Que acontece quando o oceano é o único elemento que envolve uma população? O que acontece quando a terra mais próxima fica a 1375 km? O que significa estar isolado, se a pessoa vive numa ilha? Porque afinal, a minha pesquisa gira em torno do sublime e enigmático, do viver num arquipélago no meio do Atlântico Norte
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Foi através de pequenas comunidades que visitou, como as senhoras que trabalham com o chá (terra), a ligação como o mar através dos faroleiros e da Marinha (embarcando no NRP “Viana do Castelo”) que quis fazer testemunho dessa ideia de solidão, a prisão de Ponta Delgada,. Aquilo que questiona é: existe um síndrome de ilha? Pode uma pessoa estar isolada física e psiquicamente?

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